Glossário: Meias

Por Duane Santos, graduanda em Design de Moda

As meias (em inglês, stockings; em francês, bas), são um dos elementos mais básicos do traje do século 18 e presente em quase todos os grupos sociais europeizados. Assim como a camisa, sua construção é muito semelhante tanto para homens quanto para as mulheres e as diferenças de classes sociais são marcadas muito mais pelo material e decoração das peças do que pela modelagem em si.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

A típica meia do século 18 era um tubo longo que chegava até acima dos joelhos, ajustado nos calcanhares e dedos através de um engenhoso sistema de inserções triangulares (nesgas). Não havendo tecidos elásticos na época, as meias eram mantidas no lugar através do uso de ligas ou jarreteiras – que no século 18 podiam variar de simples tiras de couro com uma fivela a peças de seda ricamente bordadas.

“Jovem mulher em sua toilette”, s.d. Atribuído a Nicolas Lavrei. Coleção Particular.

As meias finas eram confeccionadas em seda e frequentemente coloridas. Em pinturas de gênero e retratos, assim como nas gravuras de moda do período, encontramos referências das cores mais utilizadas: azul, amarelo, verde, rosa, vermelho, pérola e branco. As meias femininas das classes altas (nobreza e alta burguesia) também possuíam um elemento decorativo que parece diferenciá-las das meias masculinas e das meias da baixa burguesia: os bordados de tornozelo (em inglês, clocks). Esses bordados eram feitos em cor contrastante com a da meia e frequentemente acompanhados com um calcanhar da mesma cor.

Exemplo de bordado em meia de seda de fabricação inglesa, c. 1720. Acervo do Museu da Moda de Bath.
Uma adaptação moderna ilustra a posição dos bordados de meia do século 18. American Duchess.

UMA BREVE HISTÓRIA DAS MEIAS

As meias estão presentes na cultura europeia pelo menos desde a Grécia Antiga. No poema épico “Os Trabalhos e os Dias”, escrito no século 8 a.C., Hesíodo aconselha seu irmão a usar meias embaixo das sandálias para se proteger durante o trabalho no campo [1]. A piloi referida por Hesíodo era possivelmente feita de pêlos animais trançados ou tecidos rústicos de lã, uma construção que parece ter sido mais ou menos comum até o início da Idade Média. A meia de lã tricotada começa a se popularizar no final da Idade Média: a partir do século 14 elas já aparecem em documentos de cobranças de impostos sobre as atividades artesanais nas cidades. Mas é a partir de 1590, quando os primeiros teares específicos para meias de tricô se tornam populares, que essas peças passam a integrar definitivamente o guarda-roupas das pessoas comuns. Com elas era indispensável o uso das ligas/jarreteiras, geralmente feitas de lã ou couro, que mantinham a meia fixa no lugar.

Meias de seda tricotada da metade do século 16. Apesar de ser um achado arqueológico inglês, é mais provável que uma peça dessas tenha sido importada da Inglaterra ou Espanha, que eram dois centros exportadores de seda durante esse período. Acervo do Museu de Londres.

Apesar da popularidade das meias de lã tricotada, grande parte das peças que chegaram até nós em acervo de museu são feitas em materiais não-elásticos. Um dos motivos para isso, pode ser o fato de que a lã não era o melhor material para fazer meias finas, o que fez com que seda (e depois linho e algodão) fossem os materiais de preferências para as meias da elite ou daqueles que desejavam passar a imagem de pertencer à elite.

CONSTRUÇÃO DAS MEIAS

O método mais comum de confecção consiste em uma peça composta por duas partes, sendo a perna e o calcanhar juntos e a sola, uma peça separada. Também é comum encontrar modelos com inserções triangulares na região do tornozelo (pt-br: nesgas; ing: gores), cujas costuras eram reforçadas com bordados tão funcionais quanto decorativos. Em inglês esses bordados são referidos como clocks, por lembrar o tipo de decoração dos ponteiros dos relógios da época. O diagrama a seguir ilustra esse método de montagem, em que a meia era fechada na parte traseira.

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2 comentários em “Glossário: Meias”

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