Prancha XVI

FIGURA 01 – Helena Aravecchia

Bem como em outros trajes do conjunto de aquarelas de Carlos Julião, a mulher representada nesta prancha aparece com parte de seu traje coberto por um longo casaco, no caso, de cor rosada e decorado com galões, de estilo similar aos tradicionais Josesinhos de Lisboa, descritos como tipos de capote, com ou sem mangas, de pouca roda, usados sem distinção por homens e mulheres. É possível ver a barra de uma saia amarela estampada com flores, sendo detalhes dos punhos e da gola do casaco confeccionados com o mesmo tecido. Tal conjunto externo de peças e acessórios visíveis apresenta semelhanças com itens do vestuário masculino (chapéu de três pontas e casaco), sugerindo que o traje encoberto possa seguir as mesmas tendências. Considerando a pequena seção do pescoço visível, com um tipo de camisa de gola mais alta em renda, em vez de um lenço (fichu) ou colar (choker), é possível supor que a peça encoberta seja um tipo de traje de montaria ou de viagem, comum entre as elites do século XVIII, composto por um tipo de camisa curta, com gola de babados e mangas bufantes em tecido fino, ajustada na cintura por amarrações; uma jaqueta com mangas, tipo de véstia ajustada, abotoada na frente, que se estende até abaixo da cintura seguindo parte da silhueta da saia;  Este traje é montado sobre a mesma estrutura básica do período, uma chemise longa, meias com recortes laterais presas por jarreteiras, stays (ou corpinho) como peça de sustentação e bolsos removíveis, acessíveis pelas aberturas da saia.

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