Prancha XXIV

Esta página apresenta as descrições e observações iniciais de cada pesquisador acerca do traje que está recriando. Os trajes são numerados da esquerda para a direita.

Fig 01 – Daiana Inocente

A prancha XXIV apresenta uma figura feminina e uma masculina, que não fazem, provavelmente, parte da mesma cena cotidiana. A figura feminina representa uma mulher branca em trajes caseiros, o que fica claro por seus longos cabelos soltos e o pente na mão. A mulher usa uma chemise branca, de mangas ¾ (hipótese), de algodão fino, até os joelhos. O decote com babados é regulado por cordões vermelhos. A saia, com motivos florais, intercalados com listras, tem um tecido mais estruturado, provavelmente engomado, e é finalizada com um barrado franzido, uma espécie de babado, do mesmo tecido da saia. Pela análise visual da imagem, o caimento da saia insinua que não contém nenhuma estrutura interna. Como a mulher não usa meias, bolsos ou anáguas e seus sapatos estão desabotoados pode-se supor que a ela esteja se dessarumando. Além disso, a ausência desses elementos trazem mais indícios que comprovam se tratar de um traje utilizado dentro de casa. Por cima da saia e da chemise, a figura feminina veste um quimão, peça derivada do quimono, com clara inspiração orientalista, em tom vermelho rosado. Essa peça provalvemente era feita de seda ou lã. Como o forro tem a mesma cor, o quimão deve ter sido feito em uma única peça, com o debrum com buckram (entretela) em cor contrastante verde com motivos florais. Seu traje completa-se com uma faixa da mesma cor que o quimão, envolvendo os quadris, sobre a saia e abaixo do quimão.

O traje será elaborado da seguinte forma:

– Chemise: algodão fino branco (cambraia ou percal), utilizado na peça e no babado do decote. Finalização será feita com fita de cetim ou do tecido utilizado no quimão e viés do mesmo tecido do corpo. Será costurada à mão.

– Saia: brim 100% algodão branco, estampado manualmente com stencil e tinta para tecidos. Cogitou-se a possibilidade de utilizar xilogravura para a estamparia, mas o stencil possibilita maior controle em uma peça que demanda um padrão na impressão da estampa. As pregas da saia serão costuradas à máquina para facilitar a montagem da peça. O restante será feito à mão.

– Quimão: o tecido não foi definido até o momento, mas será utilizado algum tecido com aparência sedosa, visto que o uso da seda é inviável financeiramente. Uma opção é o jacquard, ainda que o quimão da imagem não tenha padronagens, podendo conter fibras sintéticas em sua composição. O debrum será feito em algodão verde ou algodão branco tingido (erva-mate, espinafre, repolho roxo com açafrão – cores a serem testadas), estampado com stencil, com o uso de buckram, feito com algodão. As costuras internas serão feitas à máquina, com acabamento externo à mão.

– Faixa: será utilizado o mesmo tecido do quimão, costurada à máquina.

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